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Professora transforma bar em escola e alfabetiza moradores de vila rural

Foto: Toni Mendes/EPTV
A professora Ana Cláudia Peleteiro, 48 anos, montou uma escola dentro de um bar em Gavião Peixoto, no interior paulista, para alfabetizar os moradores de uma vila rural da cidade.
Em 2012, Ana deixou a família em Araraquara (SP), comprou o bar e agora se dedica na alfabetização de dezenas de alunos da vila Nova Paulicéia.
“A minha alma se acalma aqui”, afirma.
“Eu dava aula em três escolas em Araraquara há 20 anos, aí eu resolvi dar uma parada, fui para um rancho em Borborema, conheci o dono desse bar, ele me ofereceu para comprar. Eu vi na terça-feira, na sexta eu já estava aqui, nem dormi na semana porque eu queria vir para esse lugar. Me apaixonei pela vila”, disse. A vila tem 200 habitantes.

Ajuda para tirar CNH

Desde jovem, Ana é apaixonada em ensinar as pessoas. No dia a dia do bar, ela descobriu que dois clientes estavam com dificuldades para conseguir a carteira de habilitação, pois não eram alfabetizados.
“Porque precisa da leitura para fazer a prova e a gente combinou de se encontrar a noite para ajudar eles. Outras pessoas ficaram sabendo que a gente estava fazendo isso e começaram a me procurar para a gente fazer um grupinho de alfabetização. Ai um foi falando para o outro”, explicou.

Bar transformado em escola

Ciente de que a escola mais próxima da vila Nova Paulicéia está a 10 km de distância, a professora decidiu usar sua experiência e formação em Pedagogia para compartilhar conhecimento e, agora, durante a noite, fregueses do bar viram alunos.
Ana Cláudia colocou uma lousa na parede e comprou algumas carteiras. Diariamente, ela ensina de graça para aqueles que não tiveram a oportunidade de estudar.
Um dos seus alunos, o produtor rural Bento Antônio Luís, 59 anos, conseguiu tirar a CNH após aprender com a professora.

Foto: Toni Mendes/EPTV
“Se não fosse estudar e não tivesse a carta eu iria perder o serviço. Vi que ia precisar e fui atrás. É bom demais”, disse.
Outro que frequenta as aulas é o aposentado Antônio Messias da Silva, 80 anos. “Eu só sabia escrever o nome e ler alguma coisa. Tem que aprender, vivendo e aprendendo. [Não falta vontade], o que falta é dinheiro”, brincou.

Orgulho da família

Há sete anos, Ana Cláudia decidiu se mudar para Gavião Peixoto sozinha, consciente de que a família estava estável e independente.
“Minha filha pergunta: ‘mãe quando você vai voltar para a realidade?’, mas eu estou feliz aqui, eles sabem disso, eu tenho o maior prazer de fazer o que eu faço”, diz a professora.
Seus familiares não gostaram muito da mudança, mas agora ela é motivo de orgulho, diz a irmã, Adriana Cristina Peleteiro.
“Ela é uma sonhadora que não vive na realidade. Eu admiro demais minha irmã, porque ela tem a coragem que eu jamais vou ter na vida. Jogar tudo para o alto, dar valor mais para essas coisas, do ajudar, de querer ver todo mundo unido. Ela não está preocupada se o cabelo está despenteado, se a roupa está suja, ela não se importa mais com isso. Ela é livre”, disse emocionada.

Foto: Toni Mendes/EPTV
Fonte: Razões para Acreditar com  informações do G1

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